O tema vital dos últimos meses tem sido a saúde.
Penso, agora, com Nina aos ouvidos, que talvez devesse ter sido o mote desde há muito; desde sempre. Mas não havia a menor possibilidade de que algo de tamanha grandeza entrasse em pauta. Não havia condições fenomenológicas ou sinápticas. Não havia possibilidades físicas e de desejo.
Preciso deixar claro que não falo da minha vida sedentária, dos meus rins ou da futura artrite. Falo de saúde como Nietzsche a pensa: como uma força intrínseca que nos impele à vida, à potência de estarmos vivos e gerar existências que, por sua vez, são também produtoras de força e vitalidade. Da saúde que permite com que vejamos que nossa história deve se dar e sempre se dará de uma maneira dramática, com vieses e recortes de riso e dor, de estabilidade e queda; a saúde da observação irônica, e de camarote, do prazer e do tapa na cara (ou quem sabe do prazer do tapa na cara).
Se pudesse, hoje, dar um conselho a todos que conheço seria o de, em alguma momento da existência, assumir o mesmo tema: "Vá lá, meu querido: tudo é uma questão de saúde!".
Em mim, aparece como o resultado das experimentações todas. O entendimento aberto de que, se não for agora, a segunda parte do caminho será quase impossível. A água batendo na bunda e dizendo pra que encontre os meus modos de existir. Uma percepção nova, clara, e o tanto quanto possível, consciente, das maneiras de ser e de ver e a respeito de quais podem ser as minhas; aliás, de quais têm sido as minhas.
Tal possibilidade tem me permitido vaguear com menos inconstância, ou se isso for apenas uma sensação, ao menos com um parecido maior entendimento a respeito do que se passa. Isso me parece bom. Isso me parece bem.
Em um outro entendimento: saúde não é apenas força, potência em fluxo. Saúde é fluxo gerador observado, é potência na qual seja engendrada a capacidade de percepção, é força capaz de corrigir-se e produzir nova força. Aceitação, cansaço e ter o que o fazer também com o decaimento.
Será possível?
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