quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O recomeço; o fundo

Escrever é apoderar-se de um discurso que se mantinha obtuso, duro, insuportável pelo excesso de tangibilidade, e realizar todas as inversões possíveis que resultem em seu escorrimento, em seu desaninho, em sua fluidez desafogante que vale pelo asfixio. 

Começo este recomeço sem uma intuição sequer. Sem uma pista de campos, paisagens ou clareiras que se abrirão através dos dedos que hoje se mostram acanhados, descompassados; que se percebem tateantes, num sem-jeito cheio de rubor.




Não importa. O que me interessa agora é a possibilidade, é o enfrentamento, é o ter que lidar com aquilo que não sei mais se é memória, construção desejante, alucinação imposta. 

É também elaborar o aceite de que tal distinção parece não fazer mais sentido. 

É tentar dar conta de um eu que cada vez mais adentra ao jogo do reconhecer-desconhece-se, que cambaleia e que, sobretudo, quanto menos se vê, mais se percebe e sente beleza nesta pouca fixação.

Que este espaço me torne (mais uma vez) possível.    

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