O tema vital dos últimos meses tem sido a saúde.
Penso, agora, com Nina aos ouvidos, que talvez devesse ter sido o mote desde há muito; desde sempre. Mas não havia a menor possibilidade de que algo de tamanha grandeza entrasse em pauta. Não havia condições fenomenológicas ou sinápticas. Não havia possibilidades físicas e de desejo.
Preciso deixar claro que não falo da minha vida sedentária, dos meus rins ou da futura artrite. Falo de saúde como Nietzsche a pensa: como uma força intrínseca que nos impele à vida, à potência de estarmos vivos e gerar existências que, por sua vez, são também produtoras de força e vitalidade. Da saúde que permite com que vejamos que nossa história deve se dar e sempre se dará de uma maneira dramática, com vieses e recortes de riso e dor, de estabilidade e queda; a saúde da observação irônica, e de camarote, do prazer e do tapa na cara (ou quem sabe do prazer do tapa na cara).
Se pudesse, hoje, dar um conselho a todos que conheço seria o de, em alguma momento da existência, assumir o mesmo tema: "Vá lá, meu querido: tudo é uma questão de saúde!".
Em mim, aparece como o resultado das experimentações todas. O entendimento aberto de que, se não for agora, a segunda parte do caminho será quase impossível. A água batendo na bunda e dizendo pra que encontre os meus modos de existir. Uma percepção nova, clara, e o tanto quanto possível, consciente, das maneiras de ser e de ver e a respeito de quais podem ser as minhas; aliás, de quais têm sido as minhas.
Tal possibilidade tem me permitido vaguear com menos inconstância, ou se isso for apenas uma sensação, ao menos com um parecido maior entendimento a respeito do que se passa. Isso me parece bom. Isso me parece bem.
Em um outro entendimento: saúde não é apenas força, potência em fluxo. Saúde é fluxo gerador observado, é potência na qual seja engendrada a capacidade de percepção, é força capaz de corrigir-se e produzir nova força. Aceitação, cansaço e ter o que o fazer também com o decaimento.
Será possível?
Fundantes
domingo, 9 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
O recomeço; o fundo
Escrever é apoderar-se de um discurso que se mantinha obtuso, duro, insuportável pelo excesso de tangibilidade, e realizar todas as inversões possíveis que resultem em seu escorrimento, em seu desaninho, em sua fluidez desafogante que vale pelo asfixio.
Começo este recomeço sem uma intuição sequer. Sem uma pista de campos, paisagens ou clareiras que se abrirão através dos dedos que hoje se mostram acanhados, descompassados; que se percebem tateantes, num sem-jeito cheio de rubor.
Não importa. O que me interessa agora é a possibilidade, é o enfrentamento, é o ter que lidar com aquilo que não sei mais se é memória, construção desejante, alucinação imposta.
É também elaborar o aceite de que tal distinção parece não fazer mais sentido.
É tentar dar conta de um eu que cada vez mais adentra ao jogo do reconhecer-desconhece-se, que cambaleia e que, sobretudo, quanto menos se vê, mais se percebe e sente beleza nesta pouca fixação.
Que este espaço me torne (mais uma vez) possível.
Começo este recomeço sem uma intuição sequer. Sem uma pista de campos, paisagens ou clareiras que se abrirão através dos dedos que hoje se mostram acanhados, descompassados; que se percebem tateantes, num sem-jeito cheio de rubor.
Não importa. O que me interessa agora é a possibilidade, é o enfrentamento, é o ter que lidar com aquilo que não sei mais se é memória, construção desejante, alucinação imposta.
É também elaborar o aceite de que tal distinção parece não fazer mais sentido.
É tentar dar conta de um eu que cada vez mais adentra ao jogo do reconhecer-desconhece-se, que cambaleia e que, sobretudo, quanto menos se vê, mais se percebe e sente beleza nesta pouca fixação.
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